O quinteto ficou praticamente um ano ensaiando para, em
seguida, lançar sua primeira demo tape, intitulada
Reaching Horizons, ainda em 92. No ano seguinte, o ANGRA
teve oportunidade de gravar seu primeiro CD,
Angels Cry, que obteve ótima repercussão
tanto no Brasil como no exterior graças à
inteligente mistura de peso, influências clássica
e melodia que marcava o som da banda. Pouco antes das
gravações de Angels Cry, Marco Antunes deixaria
a banda, o que fez com que a bateria fosse gravada por
Alex Holzwarth. Em seguida, Ricardo Confessori assumiu
as baquetas do ANGRA.
Depois
de passar o ano de 1994 excursionando pelo Brasil, o ANGRA
iniciou as gravações de seu novo álbum
em 95. Holy Land, lançado em 96, é o disco
que traz à tona diversas influências brasileiras,
sem, no entanto, deixar de lado o peso e a técnica
do heavy metal. Isso valeu à banda ainda maior
reconhecimento internacional, culminando em shows por
diversos países europeus, como Itália, França
e Grécia, além de dar ao grupo mais um disco
de ouro no Japão. No início do ano seguinte,
o ANGRA faria sua primeira tour no Japão, um dos
países em que o quinteto é mais popular.
Como conseqüência de tantos shows bem sucedidos,
é lançado, em 97, o EP Holy Live, com quatro
faixas ao vivo gravadas em Paris. Vale lembrar ainda que
o ANGRA fez a abertura para o AC/DC no show de São
Paulo e também teve o clipe da música Make
Believe indicado para o MTV Video Music Awards de 97,
acabando como um dos mais votados.
O
ano de 1998 marca o início de mais uma produção
do ANGRA. Com Chris Tsangarides na produção
(que trabalhou, entre outros, com Helloween
e Judas Priest), a banda antecipa seu próximo álbum
com o single de três músicas Lisbon, lançado
em julho daquele ano. O álbum completo, intitulado
Fireworks, sairia em setembro do mesmo ano e mostraria
uma banda menos voltada para os ritmos brasileiros e mais
dedicada ao heavy metal.
Depois
disso, a banda passaria por uma grande reformulação.
Com a saída de André, Ricardo e Luís,
ingressaram no ANGRA, no início de 2001, Aquiles
Priester (bateria), Edu Falaschi (vocal) e Felipe Andreoli
(baixo). A seleção dos novos músicos
envolveu critérios rigorosos, sendo que os três
novos integrantes foram escolhidos em função
de suas experiências anteriores, da técnica
apurada e do perfeito entendimento musical e pessoal que
surgiu logo após os primeiros ensaios.
Assim,
após muita expectativa, o ANGRA voltou às
atividades em grande estilo no ano de 2001 com o lançamento
mundial do disco Rebirth no mês de outubro. O nome
do álbum, que significa “renascimento”
em português, remete à nova fase vivida pela
banda a partir do 1º semestre daquele ano. Gravado
no Brasil e na Alemanha pelo renomado produtor Dennis
Ward, Rebirth conquistou de imediato a crítica
e o público do Brasil e do mundo por se tratar
de um dos discos
mais vibrantes dos últimos tempos, já que
mostrou que o ANGRA não abriu mão do estilo
que o consagrou e o elevou à categoria de banda
única dentro do superpopuloso ambiente do heavy
metal melódico.
A
partir daí, o quinteto ingressou num intenso processo
de divulgação do disco, fazendo shows em
várias capitais brasileiras (e quebrando recordes
de público em quase todas elas) e na América
do Sul, culminando com um show na casa Via Funchal, na
cidade de São Paulo, no dia 15 de dezembro. A apresentação
do quinteto foi cercada de uma cuidadosa produção,
com vários detalhes como efeitos pirotécnicos
e iluminação requintada que surpreenderam
a platéia. Nesse mesmo show, diante de um público
que praticamente lotava as dependências da casa,
o ANGRA recebeu Disco de Ouro por ter alcançado
vendas superiores a 50 mil cópias no Brasil, já
que se trata de artista considerado internacional pelo
mercado fonográfico. Em menos de dois meses, Rebirth
já tinha atingido o expressivo número de
100 mil cópias vendidas em todo o mundo.
Em
janeiro a banda voltou ao estúdio, novamente sob
o comando de Dennis Ward, para gravar o mini-álbum
Hunters And Prey e a música Kashmir para um tributo
ao Led Zeppelin. Logo após as gravações,
a banda ainda participou de um show ao ar livre em comemoração
ao aniversário da cidade de São Paulo, no
dia 25 de janeiro, realizado no Center Norte, e que contou
com um público de cerca de 12 mil pessoas.
Depois
de participar de inúmeros programas de rádio
e de TV (com destaque para uma aparição
no “Altas Horas”, da Rede Globo, e o “Musikaos”,
da TV Cultura), o ANGRA finalizou a edição
do primeiro vídeo clipe do disco Rebirth. A música
escolhida foi a faixa título e o clipe tem como
base as imagens gravadas no show acima citado, realizado
em São Paulo.
Enquanto
isso, o ANGRA via surgirem os resultados de todo esse
trabalho ao ser aclamado por praticamente toda a imprensa
especializada do Brasil nas tradicionais votações
dos leitores de “Melhores de 2001”, além
de receber considerável votação também
dos leitores da imprensa internacional, especialmente
no Japão, naquela que é considerada uma
das maiores publicações do gênero
de todo o mundo, a revista Burrn!.
Já
no mês de março, a banda embarcou para mais
uma turnê pela Europa. Foram 18 apresentações
em sete países – Itália, Alemanha,
França, Espanha, Holanda, Bélgica e Suíça
– , sempre contando com o Silent Force como banda
de abertura. Como saldo, a banda viu acontecer uma repetição
do que já tinha ocorrido na América Latina,
ou seja, uma repercussão altamente positiva. Os
novos integrantes foram muito bem recebidos pelo público
europeu e mostraram entrosamento invejável em cena.
Por tudo isso, o ANGRA realçou sua posição
de destaque no continente europeu.
De
volta ao Brasil, no início de abril foi retomada
a turnê sul-americana, com três grandiosos
shows no interior de São Paulo que totalizaram
público de cerca de 5 mil pessoas. Em paralelo,
novos produtos com a marca ANGRA chegaram ao mercado.
Um deles é o songbook de Rebirth, com as partituras
e tablaturas para guitarra de todas as músicas
do disco.
O livro, de 116 páginas, traz ainda um glossário
explicando as principais figuras utilizadas nas tablaturas,
facilitando sua utilização por músicos
ainda pouco familiarizados com essa simbologia. Também
foi lançada em edição limitada produzida
pelo fã-clube do ANGRA uma fita VHS com cerca de
80 minutos de duração trazendo o show que
a banda realizou no Rio de Janeiro e cenas extraídas
dos arquivos pessoais dos músicos da banda.
Em
maio, foi lançado o mini-álbum Hunters And
Prey, que, a exemplo de Rebirth, tem arte de capa assinada
pela artista plástica portuguesa Isabel de Amorim.
O disco
conta com oito músicas e mais uma faixa interativa,
com o clipe da música Rebirth. Dentre as músicas,
encontram-se novas composições, versões
acústicas, um cover para a música Mama,
do Genesis, e uma versão da música Hunters
And Prey com letra em português, que recebeu o título
de Caça e Caçador.
E
antes de embarcar para mais uma empreitada internacional,
a banda gravou uma versão heavy metal e um clipe
da música Pra Frente Brasil. O vídeo foi
exibido pelo canal esportivo SporTv durante a Copa do
Mundo de 2002 e continua sendo veiculado no canal Multishow.
Em
junho a banda esteve mais uma vez no Japão, onde
fez cinco apresentações nas cidades de Nagóia,
Tóquio, Osaka e Hiroshima entre os dias 19 e 24.
Os shows, ocorridos na mesma época da campanha
vitoriosa da Seleção Brasileira na Copa,
obtiveram enorme sucesso junto ao público, como
sempre acontece quando o grupo toca por lá. Antes,
no dia 14, o ANGRA foi a primeira banda de heavy metal
sul-americana a se apresentar em Taiwan, em um show inesquecível
na cidade de Taipé.
Toda
essa repercussão refletiu, naturalmente, no Brasil,
onde o ANGRA teve grande exposição na mídia.
Várias rádios, como 89FM e Brasil 2000 (São
Paulo), FM98 (Belo Horizonte), Cidade (Rio de Janeiro)
e Cidade e Transamérica (Recife), dentre várias
outras, incluíram músicas do quinteto em
sua programação. Também na TV o grupo
teve ampla exposição, como nos programas
Zapping Zone (Disney
Channel, do qual participou duas vezes),
Pirata Urbano (AllTV , no qual o bateu recorde de audiência
do programa e ganhou uma reprise na semana seguinte),
“Jô Soares” e uma nova participação
no “Altas Horas”.
No
segundo semestre, o ANGRA participou com destaque de dois
dos principais festivais de verão europeus. O grupo
tocou no dia 27 de julho no Rock Machina, na Espanha,
e, no dia 2 de agosto, no tradicional Wacken Open Air,
na Alemanha, em apresentações consagradoras.
Na volta, a banda prosseguiu em sua maratona de shows,
se apresentando em diversas cidades brasileiras e visitando
outros países sul-americanos como Equador e Colômbia.
E em novembro, a banda quebrou mais uma barreira ao finalmente
se apresentar pela primeira vez nos Estados Unidos e no
Canadá.
Com
um show para cerca de 7 mil pessoas no Credicard Hall
em dezembro de 2002, o grupo promoveu o lançamento
do CD
ao vivo e do DVD “Rebirth World Tour Live In São
Paulo”, coroando o encerramento da turnê mundial,
que totalizou mais de 100 shows realizados no Brasil,
América Latina, América do Norte, Europa
e Ásia. O resultado de todo esse trabalho refletiu-se
nas vendas: a primeira tiragem do CD,
em embalagem digipack, teve suas 15 mil cópias
totalmente vendidas, assim como a primeira edição
do DVD, com 10 mil cópias, que também esgotou-se
rapidamente e alcançou a marca de 3º DVD
mais vendido do Brasil através do site Som Livre.
Fizeram
parte do fecho da turnê mundial três grandes
festivais de verão europeus, Viña Rock (Espanha,
no dia 3 de maio), Sweden Rock (Suécia, 7 de junho)
e Gods Of Metal (Itália, 8 de junho), nos quais
a banda teve oportunidade de mostrar sua performance para
dezenas de milhares de fãs. Na Espanha, eles se
apresentaram em um festival aberto a diversos estilos
musicais, atraindo, assim, a atenção de
um público muito mais eclético. Já
o festival sueco é considerado um dos maiores e
mais bem organizados do mundo, apresentando desde novos
e velhos talentos do cenário do rock pesado. E
o italiano, como o nome diz, sempre apresenta os principais
nome do heavy metal mundial. Finalizando a tour, o ANGRA
foi a atração principal do Festival Pop
Rock, considerado o maior evento do gênero no Brasil,
realizado em 9 de agosto, em Belo Horizonte. A banda foi
a mais votada para participar do festival em escolha promovida
junto aos ouvintes da FM 98 daquela cidade.
E,
em paralelo a tudo isso, Edu, Rafael, Kiko, Aquiles e
Felipe tiveram a oportunidade de também se dedicar
a outra atividade que sempre marcou a atuação
dos músicos do ANGRA: a realização
de clínicas, workshops e aulas. Os cinco são
constantemente convidados a transmitir seu conhecimento,
tanto no Brasil como no exterior, o que faz com que o
ANGRA sirva de influência para diversos estudantes
de música e grupos iniciantes. Esses eventos, realizados
de maneira informal e didática, fazem com que o
ANGRA seja ainda mais respeitado em todos os locais onde
se apresenta, sendo comuns, inclusive, os convites para
que seus músicos visitem escolas de música
durante suas turnês internacionais.
Na
condição de músicos consagrados,
os integrantes do ANGRA também estão popularizando
seu conhecimento através de vídeo-aulas.
Kiko Loureiro, por exemplo, acaba de lançar duas
fitas, “Os Melhores Solos e Riffs do Angra”
e “Técnica e Versatilidade”, enquanto
que Felipe Andreoli acaba de estrear nesse formato com
o vídeo “Angra Bass”. Já a editora
japonesa Prime Direction está lançando mais
um songbook da banda, contendo as tablaturas e as partituras
de todos os instrumentos das músicas do álbum
“Rebirth”. O livro está saindo apenas
no Japão, numa edição luxuosamente
encadernada. O ANGRA ainda teve sua biografia com foto
publicada na enciclopédia “Power Metal”,
da série RockDetector, lançada pela Cherry
Red Books, da Inglaterra. Kiko também foi destaque
de capa de uma edição especial da revista
japonesa Young Guitar, com direito a chamada em português,
“Mate-se de Praticar”, além de participar
do CD
da banda Blezqi Zatsaz, do tecladista Fábio Ribeiro,
tocando em cinco faixas. Edu Falaschi, por sua vez, gravou
as músicas “Pegasus Fantasy” e “Blue
Forever”, que fazem parte da versão brasileira
da trilha
sonora do desenho
animado “Cavaleiros do Zodíaco”.
Além
disso, o ANGRA foi um dos artistas escolhidos para comemorar
os trinta anos do programa “Esporte Espetacular”,
da Rede Globo. O quinteto regravou o tema de abertura
do programa, dando a ele uma “interpretação
metal”, cheia de peso, técnica e feeling,
características que justificam a fama mundial da
banda.
Agora,
o Angra não precisava provar mais nada aos fãs
antigos e já era hora de inovar. Temple Of Shadows
é um álbum conceitual, que narra a saga
de um cavaleiro crusador conhecido como The Shadow Hunter
e se passa no final do século XI. Uma das primeiras
coisas que chama a atenção neste trabalho
é o encarte que acompanha o disco: além
da belíssima arte, assinada novamente por Isabel
de Amorim, o encarte vem em forma de um livro, narrando
a história por trás das letras; antes de
cada letra de música há pelo menos um parágrafo
explicando a situação ou os fatos que se
passa em cada música. Dennis Ward, novamente, foi
chamado para gravar, produzir e mixar este álbum.
Mesmo
com toda a parte conceitual nas letras, uma arte gráfica
maravilhosa e um som cristalino, com o qual se percebe
cada instrumento e cada detalhe das músicas, o
maior destaque de Temple Of Shadows está nas composições.
A evolução musical da banda é incrível,
mostrando que cada integrante se desenvolveu tecnicamente
e que, juntos, deram um passo à frente na variedade
dentro das músicas e nas composições
em geral. Mais uma vez, houve a preocupação
de se inserir elementos da música brasileira no
som da banda e há, inclusive, uma faixa com partes
cantadas em português, na voz de Milton Nascimento.
Além dele, outros convidados especiais do CD
incluem Kai Hansen (Gamma Ray e Ex-Helloween), Hansi Kürsch
(Blind Guardian), Demons & Wizards) e Sabine Edelsbacher
(Edenbridge). Mas os convidados deste álbum não
são apenas estes vocalistas e a lista completa
inclui o percussionista Douglas Las Casas, a pianista
Sílvia Góes, um quarteto de cordas para
as partes orquestradas - ao invés de usar instrumentos
"sampleados", como é de costume no Heavy
Metal - e Yaniel Matos, no violoncelo.
O
Angra, uma das mais conceituadas bandas
de heavy metal do mundo, foi o vencedor absoluto das votações
dos Melhores de 2004 realizadas junto aos leitores das
principais revistas especializadas do Brasil, como Rock
Brigade, Roadie Crew, Valhalla, Disconnected e do exterior,
como as japonesas Burrn! e Young Guitar.
Integrantes
* Eduardo Falaschi - Vocal
* Kiko Loureiro - Guitarra
* Rafael Bittencourt - Guitarra
* Felipe Andreoli - Baixo
* Aquiles Priester - Bateria
Discografia
* Angels Cry (1993)
* Holy Land (1996)
* Holy Live (1997)
* Fireworks (1998)
* Rebirth (2001)
* Hunters and Prey (2002)
* Rebirth World Tour - Live In São Paulo (2003)
* Temple of Shadows (2004)