O
Blues é um estilo musical vocal
e instrumental
que evoluiu dos espirituais, cânticos e canções
de trabalho Afro-americanos e tem a sua raiz estilística
na África Ocidental. O “blues” tem
sido a maior influência da música popular
ocidental e americana, com expressão no ragtime,
jazz, nas big bands, rhythm and blues rock and roll e
na música country, como também na música
pop convencional e até na música clássica
moderna.
As
primeiras formas de blues apareceram nos fins do século
XIX e princípios do século XX no delta do
Mississippi nos estados do sul dos EUA, usavam instrumentos
simples como, guitarra acústica, piano e harmônica
(blues harp)
A
escala do blues é encontrada frequentemente noutras
formas musicais que não o blues, em músicas
como, “Blues in the night”” de Harold
Arlen, Baladas de blues como, “Since I fell for
you” e “Please send me someone to love”
e até em trabalhos orquestrais como Rhapsody in
Blue e “Concerto in F” de George Gershwin.
De facto a escala do blues está omnipresente na
música popular dos nossos dias.
Frequentemente
o blues toma a forma de uma narrativa solta, muitas vezes
com o cantor recitando as suas desgraças. Muitos
dos blues antigos contêm letras corajosas e realistas,
contrastando com a maior parte da música que era
escrita na altura. Os exemplos mais drásticos são;
Down in the alley de Memphis Minnie, que fala de uma prostituta
que vende sexo num beco.
Nos
fins do Século XIX e pricípios do Século
XX, W. C. Handt levou os blues para além da linha,
tornando-o respeitável, e mesmo bem recebido. Este
músico, compositor e orquestrador foi a chave para
a popularidade dos blues, conhecido como “Father
of the blues”, (O pai do blues), Handy foi o primeiro
a transcrever e a orquestrar o blues quase como um sinfonia.
Extremamente profícuo em toda a sua longa vida,
o grande marco de Handy foi “St. Louis Blues”.
Bandas
de Jazz gravam por vezes música de blues. Por volta
de 1920 os blues tornaram-se num elemento de destaque
da música popular norte-americana. Com o desenvolvimento
da indústria discográfica, houve um crescimento
da popularidade de cantores e guitarristas de country-blues
como Blind Lemon Jefferson, Bling Blake, Son House, Robert
Johnson, Charley Patton e Mississippi John Hurt, são
uma mão-cheia de músicos que influenciaram
o blues, e mais tarde muitos dos músicos rock.
Os discos destes artistas ficaram conhecidos como “race
records” (discos raciais), devido a se destinarem
quase exclusivamente a audiências afro-americanas.
Cantoras de blues haviam também na altura, e muito
populares, destacando-se, Mamie Smith, Gertrude “Ma”
Rainey, Bessie Smith e Victoria Spivey.
Em
1940 e 1950, o desenvolvimento da urbanização
e o uso de amplificação sonora levaram ao
blues eléctrico, muito popular em cidades como
Chicago e Detroit, e os melhores exemplos são artistas
como Howlin’ Wolf, Muddy Waters e John Lee Hooker.
O blues eléctrico terá sido eventualmente
o “pai” do rock and roll.
O
apelo do blues continuou forte nas décadas seguintes.
A música do American civil rights movement, Black
pride movement e do Free speech movement nos Estados Unidos
fez ressurgir o interesse pelas raízes da música
americana em geral e na anterior influência da música
afro-americana em particular. Músicos como Eric
Clapton, Janis Joplin e Jimi Hendrix, influenciados tanto
pelos primeiros bluesmen como pelos mais recentes, levaram
o blues a uma audiência cada vez mais nova. Através
destes músicos e de outros, anteriores e posteriores,
o blues influenciou definitivamente o desenvolvimento
do rock and roll.
Assim
como mestres do blues como, John Lee Hooker, B.B. King
e Muddy Waters continuaram a tocar para audiências
entusiastas inspirando novos artista a mergulhar no blues
tradicional, tais como Taj Mahal (músico). A música
de Mahal foi proeminente no filme Sounder nomeado para
os Óscares de Hollywood em 1972, protagonizado
por Cicely Tyson e Paul Winfield; a ação
passava-se no Louisiana dos anos 30, e foi muito importante
no reviver do interesse na velha escola do blues acústico.
Oito anos depois, o filme The blues brothers foi também
muito importante para ajudar ao conhecimento do blues
urbano do Século XX por parte das gerações
mais novas.
Desde
aí, o blues tem continuado a crescer tanto na sua
forma tradicional como em novas direções
através de músicos como Taj Mahal, Robert
Cray, Bonnie Raitt, Keb’ Mo’ e outros.
Intérpretes
de blues aparecem virtualmente em praticamente todos os
estilos musicais. Ver Lista de músicos de blues
para mais informação.
O
blues aparece nos lugares mais surpreendentes. O tema
da série televisiva Batman, era blues assim como
o primeiro êxito de Fabian, “Turn me loose”.
Da mesma forma, muitos clássicos do Jazz tal como
“Now’s the time de Charlie Parker, também
usou o blues instrumental. A primeira grande estrela da
Country music, Jimmie Rodgers, era também um intérprete
de blues.