Pau-brasil
é o nome popular da espécie Caesalpinia
echinata Lam., uma Leguminosa nativa da Mata Atlântica.
Seu nome em tupi é Ibira pitanga, ou "madeira
vermelha". O nome popular em português deriva
da cor de brasa da resina vermelha contida na sua madeira.
A
árvore alcança entre 10 e 15 metros de altura.
Possui tronco ereto, cinza-escuro, coberto de acúleos,
especialmente nos ramos mais jovens (echinata significa
"com espinhos"). As folhas são compostas
bipenadas, de cor verde médio, brilhantes. As flores
nascem em racemos eretos próximo ao ápico
dos ramos. Possuem 4 pétalas amarelas e uma menor
vermelha, muito aromáticas; no centro encontram-se
10 estames e um pistilo com ovário súpero
alongado. Os frutos são vagens cobertas por longos
e afiados espinhos, contendo de 1 a 5 sementes discóides,
de cor marrom.
O
corte do pau-brasil para a obtenção de sua
madeira e sua resina foi a primeira atividade econômica
dos colonos portugueses na recém-descoberta Terra
de Santa Cruz, no século XVI. A abundância
desta árvore naqueles tempos conferiu à
colônia o nome de Brasil.
A
resina vermelha era utilizada pela indústria têxtil
européia como uma alternativa aos corantes de origem
terrosa e conferia aos tecidos uma cor de qualidade superior.
Isto, aliado ao aproveitamento da madeira vermelha na
marcenaria, criou uma demanda enorme no mercado, o que
forçou uma rápida e devastadora "caça"
ao pau-brasil nas matas brasileiras. Em pouco menos de
um século, já não havia mais árvores
suficientes para suprir a demanda, e a atividade econômica
foi deixada de lado, embora espécimens continuassem
a ser abatidos ocasionalmente para a utilização
da madeira (até os dias de hoje, usada na confecção
de arcos para violino e móveis finos).
O
fim da caça ao pau-brasil não livrou a espécie
do perigo de extinção. As atividades econômicas
subseqüentes, como o cultivo da cana-de-açúcar
e do café, além do crescimento populacional,
estiveram aliadas ao desmatamento da faixa litorânea,
o que restringiu drasticamente o habitat natural desta
espécie. Mas sob o comando do Imperador Dom Pedro
II, vastas áreas de Mata Atlântica, principalmente
no estado do Rio de Janeiro, foram recuperadas, e iniciou-se
uma certa conscientização preservacionista
que freou o desmatamento. Entretanto, já se considerava
o pau-brasil como uma árvore praticamente extinta.
No
século XX, a sociedade brasileira descobriu o pau-brasil
como um símbolo do país em perigo de extinção,
e algumas iniciativas foram feitas no sentido de reproduzir
a planta à partir de sementes e utilizá-la
em projetos de recuperação florestal, com
algum sucesso. Atualmente, o pau-brasil tornou-se uma
árvore popularmente usada como ornamental. Se seu
habitat natural será devastado por completo no
futuro, não se sabe, mas a sobrevivência
da espécie parece assegurada nos jardins das casas
e canteiros urbanos.