A
apocatástase sintetizaria o poder do Logos ou Verbo
encarnado, ou seja, o próprio Cristo como poder
redentor e salvador que não conheceria limite algum.
A
proposta da apocatástase levanta uma série
de questões interessantes para o cristianismo.
Em
primeiro lugar, ela leva a supor que não há
um único mundo criado - o que principia no Gênesis
e finda no Apocalipse - como sugerido pela Bíblia
cristã. Ao contrário, em sua atividade criadora,
Deus cria infinitamente, uma sucessão de mundos,
que só se esgotaria na apocatástase, quando
todos os seres repousassem definitivamente em Deus.
Em
segundo lugar, parece dar a possibilidade de estabelecer
uma distinção entre o Logos ou Verbo e sua
encarnação como Cristo. Uma vez que Cristo
é uma encarnação histórica
neste mundo em particular, estaria aberta a possibilidade
de uma encarnação futura do Logos ou Verbo.
Essa possibilidade não é incompatível
com os textos sagrados cristãos, que falam de uma
volta do Logos, contudo, permitem questionar a divindade
de Cristo, dogma comum a muitas denominações
cristãs.
Séculos
após a morte de Orígenes, no Segundo Concílio
de Constantinopla, os aspectos de sua doutrina que permitiriam
subordinar a figura de Cristo ao Logos e ao Pai, rompendo
também com o dogma da Santíssima Trindade
foram considerados errôneos. Desde então,
a maior parte das denominações se refere
ao apocalipse, mas não à apocatástase.