As
Testemunhas de Jeová não têm a distinção
entre clero e leigos comum a muitas denominações
religiosas. Todas as Testemunhas de Jeová são
incentivadas a serem diligentes estudantes da Bíblia
e das publicações da religião, bem
como a apresentar um elevado grau de compromisso com a
sua religião, que interiorizam como um modo de
vida. Crêem que todas elas, sejam homens ou mulheres,
são Ministros de Deus ordenados no baptismo por
imersão completa em água. (Ref.ª O
Que a Bíblia Realmente Ensina?, 2005, pág.
175; Organizados para Fazer a Vontade de Jeová,
2005, pág. 78)
As
Testemunhas de Jeová são bem conhecidas
pela sua regularidade e grande persistência na obra
de evangelização de casa em casa e nas ruas.
Como parte de seu serviço a Deus, assistem regularmente
às suas reuniões congregacionais três
vezes por semana, no seu local de reuniões chamado
de Salão do Reino, para instrução
colectiva e edificação mútua. Outras
reuniões de maiores dimensões ocorrem, usualmente,
três vezes por ano, em Salões de Assembleias
mantidos pela comunidade ou em instalações
públicas, como estádios desportivos ou auditórios
municipais.
Seu
Nome Descritivo
Esta
comunidade religiosa era conhecida inicialmente como Estudantes
da Bíblia. Os seus membros foram também
chamados, em sentido pejorativo, de "russellitas",
"rutherfordistas", "auroristas do milênio"
e "anti-infernistas". Em 1931, entenderam que
deveriam fazer uma distinção entre a maioria
dos membros que eram leais à Directoria da Sociedade
Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e certos grupos
dissidentes que também se intitulavam "Estudantes
da Bíblia". Também, consideraram que
o termo Estudantes da Bíblia era demasiado vago
para servir como designação distintiva.
Assim, no domingo, 26 de julho de 1931, no culminar do
Congresso realizado em Columbus, Ohio, nos Estados da
América, os presentes adotaram unânimente
uma resolução intitulada "Um Novo Nome",
apresentada por Joseph Rutherford, o segundo presidente
da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
Nela foi proposto o nome descritivo e distintivo de "Testemunhas
de Jeová". Para legitimar a escolha do nome
usaram o texto bíblico de Isaías 43:10 que,
conforme a Tradução do Novo Mundo das Escrituras
Sagradas, publicada pelas Testemunhas de Jeová
20 anos mais tarde, reza:
"Vós
sois as minhas testemunhas", é a pronunciação
de Jeová, "sim, meu servo a quem escolhi,
para que saibais e tenhais fé em mim, e para que
entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não
foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não
haver nenhum."
Algumas
vezes, as suas publicações usam a expressão
"Testemunhas cristãs de Jeová",
como forma de reforçar que acreditam em Jesus Cristo
como o Filho de Deus e Salvador da humanidade e não
apenas em Jeová Deus, seu Pai. Também afirmam
que fazem parte de uma "grande nuvem de testemunhas"
pré-cristãs de Jeová. (Hebreus 11
a 12:1) Argumentam que o próprio Jesus Cristo é
chamado de "testemunha fiel e verdadeira". (Revelação
ou Apocalipse 3:14)
Afirmam
que, desde o início, terá existido apenas
uma religião verdadeira, constituída por
aqueles que a Bíblia menciona como fazendo a vontade
de Jeová, e que todas as outras formas de adoração
podem ser englobadas num império mundial de religião
falsa. Consideram que uma das características principais
que fazem de qualquer grupo religioso, seja ele cristão
ou não, parte do conjunto da religião falsa
é o desprezar ou simplesmente não reconhecer
e divulgar o Nome de Deus, conforme apresentado na Bíblia
pelo Tetragrama YHVH, e pronunciado consoante a forma
mais popular na língua de cada país. As
Testemunhas de Jeová têm orgulho em divulgar
o Nome de Deus, preferindo em português a forma
Jeová. Apesar de não considerarem incorrecto
o uso de Javé (Jahvé) ou Iavé, preferem
a forma Jeová (em português) por ser o uso
mais comum em grande número das traduções
bíblicas modernas bem como em outras obras seculares
e na conversação diária.
Apesar
de algumas pessoas, e até mesmo a imprensa ou determinadas
obras literárias, designarem as Testemunhas de
Jeová por "jeovistas" ou "jeovás",
elas rejeitam estes termos considerando-os pejorativos
e mesmo ofensivos contra o Deus que adoram, visto que
consideram que o Nome Sagrado deve ser tratado com respeito
e reverência.
Fundamentação
das Suas Doutrinas
A
única autoridade reconhecida pelas Testemunhas
de Jeová em termos teológicos é a
Bíblia, em particular, a Tradução
do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (NM), embora usem
diversas traduções da bíblias, conforme
pode ser visto por uma análise das suas publicações,
ou pelo facto de muitas Testemunhas ainda não terem
acesso à versão publicada pela Sociedade
Torre de Vigia na sua própria língua. A
interpetação que fazem do texto biblico
é feita segundo o entendimento aprovado pelo Corpo
Governante das Testemunhas de Jeová e publicado
pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
Confiam plenamente no seu Corpo Governante como "porta-voz"
do Deus Jeová, para fornecer ensino e entendimento
bíblico no tempo apropriado. Para mais informações
sobre este tópico, consulte os artigos Doutrinas
das Testemunhas de Jeová, Corpo Governante das
Testemunhas de Jeová e Escravo Fiel e Discreto,
bem como ouros indicados no índice apresentado
nesta página.
Divulgação
das Suas Doutrinas
As
Testemunhas de Jeová procuram empenhar-se na divulgação
mundial das suas crenças através de vários
meios e, em especial, através da página
impressa. Nas suas convenções anuais, são
apresentados à comunidade novos livros, brochuras
e outros artigos para divulgação doutrinária.
Apesar de estarem presentes na Internet com alguns sites
oficiais, actualmente não possuem quaisquer emissões
de TV ou Rádio. Foram pioneiros no uso do cinema
sincronizado com som e fizeram vasto uso de emissoras
de rádio no passado, principalmente na década
de 30 e 40 do Século XX, quando chegaram a montar
as maiores redes radiofónicas da época.
Hoje possuem o maior parque gráfico do mundo, com
capacidade para imprimir centenas de milhões de
exemplares de publicações a cada ano. Para
mais informações sobre este tópico,
consulte os artigos Sociedade Torre de Vigia de Bíblias
e Tratados, Fotodrama da Criação, bem como
ouros indicados no índice apresentado nesta página.
A
sua doutrina é apresentada ao público, principalmente,
através de duas revistas:
* A Sentinela - Anunciando o Reino de Jeová
* Despertai!
Conceito
Sobre as Outras Religiões
As
Testemunhas de Jeová crêem que praticam a
religião verdadeira (ou seja, o primitivo Cristianismo),
e por fazer isso, serão salvas como grupo, o que
não significa que toda Testemunha individual seja
salva. Ensinam que, para alguém poder ser salvo,
a pessoa tem de obter conhecimento sobre a Vontade de
Deus, conforme expressa na Bíblia, e pôr
em prática aquilo que aprende, mantendo a sua integridade
até o fim. (Mateus 24:13)
Já
por muitos anos, as suas publicações têm
expresso a opinião que todas as outras religiões
são falsas, particularmente as religiões
da cristantade, ou seja aquelas que professam ser cristãs,
e por isso serão destruídas por Deus. Também
são frequentemente criticadas por não fazerem
parte de qualquer movimento ecuménico e, em vez
disso, empenharem-se num proselitismo considerado "agressivo"
por outras religiões. Durante a presidência
de Rutherford, as publicações da Sociedade
Torre de Vigia tinham um discurso particularmente duro
contra as demais religiões cristãs. Desde
muito cedo, essa postura suscistou uma forte oposição
por parte dessas religiões contra as Testemunhas
de Jeová.
Embora
ainda sejam criticadas por serem intolerantes com as outras
religiões, elas respeitam as diferenças
de opinião e não procuram impôr as
suas crenças. Criticam apenas as organizações
religiosas nas suas doutrinas e práticas que consideram
biblicamente erradas, mas nunca a fé individual
e a sinceriridade dos seus crentes. "Sentimos interesse
bondoso e amoroso pelas pessoas de todas as religiões,
mas quando as crenças e práticas religiosas
delas são falsas e merecem a desaprovação
de Deus, trazer isto à atenção delas,
por expôr a falsidade, significa mostrar amor a
elas. Jesus mostrou claramente o erro das práticas
religiosas dos escribas e fariseus de seus dias, dizendo
que a religião deles era vã." (citação
da Despertai! de 8/7/1988, pág. 28)
Oposição
às Testemunhas de Jeová
Ao
longo da sua história, as suas crenças,
doutrina e práticas religiosas têm sido,
amiúde, alvo de algumas controvérsias. As
Testemunhas de Jeová têm enfrentado opressão
e perseguição por parte de alguns governos
totalitários, sendo inclusivamente um dos grupos
visados pelo regime Nazi e pelos regimes comunistas. Durante
os últimos 100 anos, muitos governos, incluindo
os chamados democráticos, baniram as suas actividades,
alguns chegando mesmo a prender ou a executar os seus
membros. As acusações resultavam especialmente
da sua neutralidade quanto aos assuntos políticos
ou militares, ou pela instigação de líderes
religiosos. Até o dia de hoje, existem várias
Testemunhas de Jeová presas por motivos religiosos
bem como vários países onde as suas actividades
estão sob proscrição governamental.
Baseando-se
em sua singular interpretação da Bíblia
sobre o uso do sangue, entendem que as transfusões
de sangue lhes são proibidas por Deus. Isso originou
conflitos com a classe médica e autoridades judíciais,
colocando diversos desafios éticos, cirúrgicos
e jurídicos. Para mais informações
sobre esta questão, veja o artigo Testemunhas de
Jeová e a Questão do Sangue.
Algumas
Conquistas Legais
Nos
Estados Unidos, muitos casos judiciais nos anos 30 e 40
do Século XX, envolvendo Testemunhas de Jeová,
ajudaram a dar forma à Lei da Primeira Emenda,
abrindo precedentes na interpretação desta
lei fundamental americana. O mesmo tem vindo a suceder
em outros países. Alguns casos levaram à
afirmação de direitos importantes tais como:
* Direito a não jurar lealdade absoluta ao Estado
(apenas relativa) e não apoiar ideais nacionalistas;
* Não saudar a bandeira nacional ou cantar o hino
em cerimónias patrióticas (mas respeitando
os símbolos nacionais);
* Direito à objecção de consciência
por razões religiosas;
* Direito à recusa de prestar serviço militar,
combatente ou não-combatente, por razões
religiosas;
* Direito à pregação em público
e de distribuir suas publicações religiosas,
sem necessitar de uma autorização ou licença
como pré-condição;
* Direito à isenção fiscal sobre
o seu património imóvel em virtude da Sociedade
Torre de Vigia de Biblias e Tratados e suas congéneres,
serem sociedades inteiramente religiosas e sem fins lucrativos;
Estatísticas
Mundiais
Segundo
o Relatório Mundial do Ano de Serviço de
2005 (de Setembro de 2004 a Agosto de 2005), as Testemunhas
de Jeová tiveram um auge de 6.613.829 adeptos activos
por todo o mundo, registando um aumento de 1,3% sobre
o Ano de Serviço de 2004. (Ref.ª A Sentinela
de 1/2/2006, pág. 19-22) Este valor é um
dos mais baixos dos últimos 10 anos, visto que
o crescimento de publicadores tinha sido de 4,4% em 1996
e caído para 1,7% em 2001. Depois, registou-se
2,8% em 2002, 2,2% em 2003 e 2,0% em 2004. O número
de adeptos apresentado no relatório anual refere-se
apenas ao número de publicadores que participam
regularmente na divulgação da crença
(o que inclui publicadores baptizados e não-baptizados),
não sendo por isso, comparável com as estatísticas
apresentadas por outros grupos religiosos.
O
número de países com crescimento negativo
ou zero aumentou de 7 em 2003 para 22 em 2004 (Austrália,
Áustria, Bélgica, Grã-Bretanha, Canadá,
República Checa, Dinamarca, Finlândia, Grécia,
Hong Kong, Hungria, Itália, Japão, Países
Baixos, Noruega, Portugal, Porto Rico, Roménia,
Eslováquia, Suécia, Suíça,
EUA). Verifica-se um contínuo crescimento de publicadores
na maioria dos países africanos, sul-americanos,
asiáticos não-islâmicos e da ex-União
Soviética. Foi ainda relatado um crescimento de
9,2% em relação a 2004 em 28 países
não-identificados devido à proscrição
oficial das suas actividades religiosas, sendo por isso
realizadas clandestinamente.
Desassociados
e Dissociados
Os
números anuais dos dessassociados são por
vezes mencionados em Assembleias e Congressos, na revista
A Sentinela, nos Anuários das Testemunhas de Jeová
e no periódico mensal Nosso Ministério do
Reino, indicando valores mundiais ou dados referentes
a um determinado país em particular.
Por
exemplo, a revista A Sentinela mencionava na sua edição
de 15 de Novembro de 1974, pág 685, que "nos
Estados Unidos [...], durante o período de dez
anos, de 1963 a 1973, 36.671 pessoas tiveram de ser desassociadas
por diversas espécies de sérias transgressões.
Contudo, no mesmo período, 14.508 pessoas foram
readmitidas, aceitas novamente nas congregações,
por causa de seu sincero arrependimento." Também,
na sua edição destinada ao Brasil, o periódico
mensal Nosso Ministério do Reino de Maio de 2004
informou que "no ano de serviço de 2003 houve
7.230 desassociações por motivo de imoralidade
sexual, no Brasil", referindo que esse número
representou 83% de todos os desassociados naquele país.
Informa ainda que, em igual período, 4.343 pessoas
foram readmitidas entre as Testemunhas brasileiras.
Quanto
a dados mundiais, o Anuário das Testemunhas de
Jeová de 1979, pág. 23, informa que 29.893
haviam sido desassociados no ano anterior. A revista A
Sentinela de 1 de Janeiro de 1986, pág. 13, indica
o número de 36.638 com referência ao ano
transacto. A edição de 15 de Setembro de
1987, pág. 13, refere 37.426 desassociados em 1986.
Mais de 41 mil foi o valor indicado referente a 1988 na
edição de 1 de Dezembro de 1989, pág.
17. Durante os primeiros anos da década de 90,
os valores parecem ter-se fixado por volta dos 40 mil
desassociados e dissociados anuais, a nível mundial,
conforme se pode observar na revista A Sentinela, nas
edições de 11 de Novembro de 1991, pág.
9, e 1 de Abril de 1994, pág. 16.
Os
motivos que levam à desassociação
de alguém não são mencionados, por
respeito à privacidade dos envolvidos. No entanto,
as razões bíblicas que levam alguém
a tal situação de exclusão são
sempre do seguinte teor: jogatina, extorsão, calúnia,
furto, embriaguez, uso não medicinal de drogas,
tabagismo, actos homossexuais, abuso sexual de menores,
fornicação, poligamia, relacionamentos incestuosos,
violência doméstica ou de qualquer espécie,
assassínio, interrupção voluntária
da gravidez e apostasia.