Com
a evolução das técnicas de medida,
verificou-se que o calor específico não
era constante com a temperatura. Por isso buscou-se padroniza-lo
para uma faixa estreita, e a caloria foi então
redefinida como sendo o calor trocado quando a massa de
um grama de água passa de 14,5 ºC para 15,5
ºC.
Contudo,
com a evolução mais uma vez da técnica,
sobretudo do desenvolvimento da eletricidade e da eletrônica,
viu-se ser mais conveniente definir o Joule como unidade
de energia, abolindo assim a necessidade de definir a
caloria. Entretanto, o Bureau Internacional de Pesos e
Medidas, organismo responsável pela convenção
do metro e pelo Sistema Internacional de Unidades, resolveu
colocar a caloria como sendo igual a
4,18 Joules exatamente.
Quando
usamos caloria para nos referirmos ao valor energético
dos alimentos, na verdade queremos dizer a quantidade
de calor necessária para elevar em 1 grau Celsius
a temperatura de 1 quilograma (equivalente a 1 litro)
de água. O correto neste caso seria utilizar kcal
(quilocaloria), porém o uso constante em nutrição
fez com que se modificasse a medida. Assim, quando se
diz que uma pessoa precisa de 2.500 calorias, na verdade
são 2.500.000 calorias (2.500 quilocalorias).
Histórico
A
noção de que o calor é uma forma
de energia surgiu, em termos históricos, muito
recentemente no desenvolvimento da Ciência. De fato,
até hoje, no que tange o senso comum, se confunde
temperatura e calor.
Sabia-se
que o calor estava ligado a algo que fluia de um corpo
mais quente para um corpo mais frio. Lavoisier de fato
incluiu o calórico, suposto fluido do qual seria
composto o calor, em sua tabela de elementos químicos
(ainda não era, entretanto, uma tabela periódica)
Pouco
a pouco, entretanto, foi evoluindo o entendimento do que
seria o calor.Em 1798 Benjamim Thompson, o Conde Rumford,
supervisionando a perfuração de canhões
do arsenal de Munique, notou que o calor era liberado
mesmo quando as brocas tivessem ficado cegas, o que contrariava
uma opinião então vigente, de que o calor
liberado era conseqüência de um suposto menor
calor especifico das aparas de ferro em relação
ao ferro maciço.
Em
1799, Humphry Davy pos por terra outra hipótese
dos defensores do calórico, que dizia que o ar
era a fonte desse calor. Atritando dois pedaços
de gelo no vácuo, por um mecanismo automático,
fe-los derreter.
Mais
tarde, já no século XIX, Julius Robert Meyer
começou a reparar na equivalencia entre trabalho
e calor, resultado que iria, entretanto, só ser
plena e vitoriosamente confirmado por James Prescott Joule
no seu grande artigo "Sobre o Equivalente Mecânico
do Calor", lido perante a Royal Society em 1849.