O
falcão peregrino (Falco peregrinus)
é uma ave
de rapina diurna de médio porte que pode ser encontrada
em todos os continentes excepto na Antártida. A
espécie prefere habitats em zonas montanhosas ou
costeiras, mas pode também ser encontrado em grandes
cidades como Nova Iorque.Na América do Sul, ele
só surge como espécie migratória,
não nidificando aqui.
O
falcão peregrino mede entre 38 e 53 cm de comprimento,
sendo as fémeas maiores que os machos. A sua plumagem
é característica, em tons de cinzento-azulado
no dorso, asas e cabeça e branca riscada de negro
na zona ventral. Os olhos são negros e relativamente
grandes.
O
falcão peregrino é um caçador solitário
que ataca outras aves, em geral pombos ou pássaros,
que mata com as garras em voo picado. É o animal
mais rápido do mundo, com velocidade de mergulho
que chega a atingir 288 Km/h. Graças à sua
eficiência enquanto predador, é um dos animais
preferidos na arte da falcoaria. O falcão peregrino
é muita vezes vítima de outras aves de rapina
que roubam as suas presas, à semelhança
dos leopardos, que muitas vezes vêem a sua refeição
assaltada por hienas. Como predador solitário,
o falcão não pode arriscar morrer de inanição
por ferimentos obtidos numa luta por uma presa já
abatida. Como ave que freqüenta ambientes urbanos
atrás de presas como os pombos, o falcão
peregrino às vezes não pode consumir as
aves que abate por conta do tráfego de pessoas
e viaturas; em Santos no litoral paulista, é comum
achar pombos mortos abatidos por falcões peregrinos
migratórios (Falco Peregrinus tundrius) e abandonados
na via pública.
Na
época de reprodução, o casal põe
cerca de três ovos num penhasco, directamente sobre
o solo, sem fazer ninho. Os ovos são incubados
pelo casal de pais ao longo de cerca de um mês.
O
falcão peregrino é muito sensível
ao envenenamento com inseticidas organoclorados como o
DDT, com o quais entra em contacto através da gordura
de suas presas, e que provocam enfraquecimento da casca
de seus ovos e esterilidade. O uso do DDT afectou gravemente
as populações residentes na Europa Ocidental
e América do Norte durante as décadas de
1950 e 1960. A situação foi invertida com
o banimento destes compostos das práticas agrícolas
e pela liberação na natureza de indivíduos
criados em cativeiro. Segundo Helmut Sick, este esforço
de recuperação por liberação
de animais criados em cativeiro (alguns mestiços
de subespécies diferentes) reduziu a intensidade
da migração de falcões do Leste da
América do Norte para o Brasil, já que parte
das populações recuperadas perdeu o hábito
migratório. Os falcões peregrinos presentes
no Brasil entre outubro e abril, durante o inverno boreal
pertencem à subespécie F.P. tundrius, mais
ártica; outra subespécie norte-americana,
F.P. anatum, é residente.