Embora
se diga que seu habitat é a floresta de araucárias
do sul do Brasil, por força da dieta desta ave
que também se alimenta de insetos, frutos e pequenos
invertebrados, ela não tem dependência estrita
destas florestas e sua área de distribuição
abrange desde o Estado de São Paulo para o sul,
até o Estado do Rio Grande do Sul, sendo frequente
na Mata atlântica da Serra do Mar.
As
gralhas azuis são aves muito inteligentes só
suplantadas pelos psitacídeos. Sua comunicação
é bastante complexa consta de pelo menos 14 termos
vocais (gritos) bem distintos e significantes. Gregárias,
as gralhas azuis formam bandos de 4 a 15 indivíduos
hierarquicamente bem organizados, inclusive com divisão
de clãs, bandos estes que se mantêm estáveis
por até duas gerações.
No
período reprodutivo que se inicia em outubro e
se prolonga até março, todos os indivíduos
colaboram na construção de ninhos nas partes
mais altas das mais altas árvores, preferencialmente
na coroa central da araucária, quando lá
existente. No ninho feito de gravetos, de cerca de 50
cm de diâmetro, em forma de taça, são
postos 4 ovos, em média.
A
gralha azul é o principal animal disseminador da
araucária uma vez que, durante outono, quando as
araucárias frutificam, bandos de gralhas laboriosamente
estocam os pinhões para deles se alimentar posteriormente.
Neste
processo, as gralhas azuis encravam fortemente os pinhões
no solo ou em troncos caídos no solo, já
em processo de putrefação, ou mesmo nas
partes aéreas de raízes nas mesmas condições,
local propício para a formação de
uma nova árvore.
No
folclore do estado do Paraná atribui-se a formação
e manutenção das florestas de araucária
a este pássaro, como uma missão divina,
razão porque as espingardas explodiriam ou negariam
fogo quando para elas apontadas.
Talvez
por esta razão a Lei Estadual n. 7957 de 1984 a
consagra como "ave símbolo" do Estado
do Paraná. Como a floresta das araucárias
tenha sido reduzida a cerca de 4% do que fora antes, a
perpetuidade desta espécie de aves é vista
vista com preocupação.