Macuco
(Tinamus solitarius), nome de origem na língua
indígena tupi-guarani: Mocoico-erê; em inglês:
Solitary Tinamou, é o maior representante dos tinamídeos
na Mata Atlântica. Atinge até 52 cm e entre
1,5 a 2,0 kg de peso. Possui coloração acinzentada
com matiz verde-oliva, e desenho críptico nas penas
traseiras (rectrizes). É uma ave que habita a mata
primitiva, percorrendo o solo da floresta, inclusive em
áreas acidentadas e de difícil acesso. Alimenta-se
de sementes, bagas, frutas e artrópodes. Sempre
próximo a pequenos riachos ou nascentes. A principal
ameaça que contribui para a extinção
dessa espécie, é a do desmatamento, pois
a ave não se adapta à mata secundária,
que não apresenta as mesmas características
da mata primitiva. É uma ave cinegética
por excelência, assim como os demais tinamídeos,
pois possuem carne branca e saborosa, considerada pelos
especialistas franceses, como o grupo de aves cuja carne
se adequa ao preparo de qualquer tipo de prato.
Caça
Sua
caça exige técnica e perícia do caçador,
por ser uma ave extremamente arisca e desconfiada. O método
mais utilizado para a caça, consiste no preparo
inicial de uma choça, com folhas de palmeiras e
galhos para camuflar o caçador no solo, ou o de
uma plataforma ou "jirau" a 3 ou 4 metros do
solo, sobre uma árvore, de onde o caçador,
munido de um pio de madeira adequado, intercala pausadamente
o chamado da fêmea ou do macho da espécie,
sendo melhor a produtividade da caçada nos meses
de setembro a novembro. Por vezes, para a aproximação
da caça, demoram-se horas; e nesse intervalo com
um pio especial, o caçador imita o grilo, um dos
alimentos preferidos da ave, para auxiliar na atração
da presa. Uma forma reprovável e pouco esportiva
de caça, se dá quando a ave empoleira para
dormir, atraindo o caçador pelo som de suas asas
ao voar para o galho, e pelos piados que emite. O caçador
munido de lanterna potente, localiza a ave à noite
no galho e a abate.
Reprodução
Como
na maioria dos tinamiformes, o macho do Macuco choca os
ovos, que são de coloração verde-azulada,
e cria os filhotes com grande cuidado parental. Sua reprodução
em cativeiro é bem sucedida, devendo ser incentivada
para o repovoamento das florestas remanescentes, paralelamente
ao replantio de mata nativa, em áreas desflorestadas
ou degradadas, que garantiria a preservação
futura dessa espécie, e de outras tantas da Mata
Atlântica.