Os
cupins ou térmita são insetos
sociais da ordem Isoptera, que contém cerca de
2800 espécies catalogadas no mundo. Mais conhecidos
por sua importância econômica como pragas
de madeira e de outros materiais celulósicos, os
cupins também têm atraído a atenção
de cientistas devido ao seu singular sistema social. Além
de provocar considerável dano econômico em
áreas urbanas e rurais, esses insetos também
são importantes componentes da fauna de solo de
regiões tropicais, exercendo papel essencial nos
processos de decomposição e de ciclagem
de nutrientes.
A
maioria das espécies de cupins vive nas regiões
tropicais e subtropicais, com algumas poucas se estendendo
até latitudes mais elevadas, raramente além
de 40 norte ou sul. Mais espécies de cupins podem
ser encontradas num único hectare de floresta ou
savana tropicais do que em toda a América do Norte
e Europa juntas.
Os
cupins são insetos ortopteróides que pertencem
a um grupo denominado Dictyoptera, que inclui também
Blattaria (baratas) e Mantodea (louva-a-Deus). São
hemimetábolos, ou seja, apresentam metamorfose
gradual, e têm aparelho bucal mastigador. No Brasil
ocorrem quatro famílias de cupins: Kalotermitidae,
Rhinotermitidae, Serritermitidae e Termitidae. Os Kalotermitidae
são cupins considerados primitivos, que são
capazes de viver em madeira seca sem contato com o solo
e nunca constroem ninhos. Os Rhinotermitidae são
na maioria subterrâneos e se alimentam de madeira,
e alguns deles são pragas importantes. Serritermitidae
até recentemente continha uma única espécie,
Serritermes serrifer, que ocorre apenas no Brasil. Novas
evidências indicam que Glossotermes oculatus, espécie
da Amazônia previamente incluída em Rhinotermitidae,
também pertence a Serritermitidae, e essa classificação
é adotada aqui. A família Termitidae é
bastante diversificada, e compreende cerca de 85% das
espécies de cupins conhecidas do Brasil. Dentre
os Termitidae, alguns são comedores de madeira,
de folhas, de húmus, e também cultivadores
de fungo (que não ocorrem no Brasil), e muitos
constroem ninhos grandes e complexos.
Todos
os cupins são eussociais, possuindo castas estéreis
(soldados e operários). Uma colônia típica
contém um casal reprodutor, rei e rainha, que se
ocupa apenas de produzir ovos; de inúmeros operários,
que executam todo o trabalho e alimentam as outras castas;
e de soldados, que são responsáveis pela
defesa da colônia. Existem também reprodutores
secundários (neotênicos, formados a partir
de ninfas cujos órgãos sexuais amadurecem
sem que o desenvolvimento geral se complete), que podem
substituir rei e rainha quando esses morrem, e às
vezes ocorrem em grande número numa mesma colônia.
Os membros da família Kalotermitidae não
possuem operários verdadeiros, mas esse papel é
desempenhado por ninfas (pseudo-operários ou "pseudergates")
que retêm a capacidade de se transformar em alados
ou soldados. Existem também cupins desprovidos
de soldados, como é o caso de todos os representantes
neotropicais da subfamília Apicotermitinae. Alguns
cupins possuem dois ou três tipos de soldados, sempre
de tamanhos diferentes, e às vezes morfologicamente
tão distintos que poderiam passar por espécies
diferentes.
A
dispersão e fundação de novas colônias
geralmente ocorre num determinado período do ano,
coincidindo com o início da estação
chuvosa. Nessa época ocorrem as revoadas de alados
(chamados popularmente de siriris ou aleluias), dos quais
alguns poucos conseguem se acasalar e fundar uma nova
colônia.