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>>> Zoologia >>> Orca |
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A orca ou baleia assassina
(Orcinus orca) é o membro de maior porte da família
Delphinidae (ordem dos cetáceos) e um predador versátil,
podendo comer peixes, moluscos, aves, tartarugas, ainda
que, caçando em grupo, consigam capturar presas de
tamanho maior, incluindo morsas e outras "baleias".
Apesar da designação baleia assassina, não
é, na verdade, uma baleia. O nome provém da
alteração da expressão "assassina
de baleias" já que caçam outros cetáceos
jovens. Está, portanto, no topo da cadeia alimentar
oceânica. Pode chegar a pesar nove toneladas. É
o segundo animal de maior área de distribuição
geográfica (logo a seguir ao homem), podendo encontrar-se
em qualquer um dos oceanos.
Têm
uma vida social complexa, baseada na formação
e manutenção de grupos familiares extensos.
Comunicam através de sons e costumam viajar em
formações que assomam ocasionalmente à
superfície. A primeira descrição
da espécie foi feita por Plínio, o Velho
que já a descrevia como um monstro marítimo
feroz. Contudo, não se tem conhecimento de ataques
a seres humanos no ambiente selvagem, ainda que se saiba
de alguns casos de agressões aos seus treinadores
em parques temáticos. Tanto vivem no mar alto como
junto ao litoral.
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A
orca é a única espécie do género
Orcinus. É uma das trinta e cinco espécies
da família dos golfinhos. Tal como o género
Physeter, também com apenas uma espécie (o
cachalote), o género Orcinus caracteriza-se por um
população abundante sem parentes imediatos
do ponto de vista da cladística. Os paleontólogos
acreditam que a orca pode ter tido, provavelmente, um passado
evolucionário anagenético; isto é,
uma evolução de ancestral para descendente
sem se verificar qualquer ramificação da linha
genética (formação de espécies
aparentadas, coexistindo no tempo). Se assim fosse, a orca
passaria a ser uma das mais antigas espécies de golfinhos,
ainda que seja pouco provável que seja tão
antiga quanto a própria família, cujo início
é datado em cerca de cinco milhões de anos. |
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Estes
animais caracterizam-se por terem o dorso negro e a zona
ventral branca. Têm ainda manchas brancas na parte
lateral posterior do corpo, bem como acima e detrás
dos olhos. Com um corpo pesado e entroncado, têm a
maior barbatana dorsal do Reino animal, que pode medir até
1,8 metros de altura (maior e mais erecta nos machos que
nas fêmeas). Os machos podem medir até 9,5
metros de comprimento e pesar até 6 toneladas; as
fêmeas são menores, chegando aos 8,5 metros
e 5 toneladas, respectivamente. As crias nascem com cerca
de 180 Kg e medem cerca de 2,4 metros de comprimento.
As
orcas macho de maiores dimensões têm um aspecto
distinto que não dá margem para confusões
ao serem identificados. Contudo, vistas à distância
em águas temperadas, as fêmeas e as crias
podem confundir-se com outras espécies, como a
Falsa-orca ou o Golfinho-de-Risso.
A
maior parte dos dados sobre a vida das orcas foi obtida
em pesquisas de longa duração com populações
da costa da Columbia Britânica e de Washington,
bem como pela observação de animais em cativeiro.
A informação disponível sobre esta
espécie é avultada e está devidamente
sistematizada pelos naturalistas, o que se deve também
à natureza altamente estruturada dos grupos sociais
destes animais. Contudo, grupos transitórios ou
residentes noutras áreas geográficas podem
ter características ligeiramente diferentes. As
fêmeas atingem a maturidade sexual aos 15 anos de
idade. A partir dessa altura, têm períodos
de ciclo poliestral (cio regular e contínuo) com
períodos sem o ciclo estral que podem durar de
três a desasseis meses. As fêmeas podem dar
à luz uma só cria, uma vez cada cinco anos.
Nos grupos sociais analisados, os nascimentos podem ocorrer
em qualquer época do ano, havendo uma certa preferência
pelo inverno. A mortalidade dos recém-nascidos
é elevada - os resultados de uma investigação
sugerem que cerca de metade das crias morrem antes de
atingir os seis meses. Os filhotes são amamentados
até aos dois anos de idade, mas com doze meses
já se alimentam de comida sólida. As fêmeas
são férteis até aos 40 anos, o que,
em média, significa que podem ter até cinco
crias. A esperança de vida das fêmeas é,
geralmente, de cinquenta anos, ainda que em casos excepcionais
possam viver até aos noventa anos. Os machos tornam-se
sexualmente activos com 15 anos de idade e chegam a viver
até aos 30 anos (ou até aos 50, em casos
excepcionais).
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A
orca é o segundo mamífero com maior área
de distribuição geográfica no planeta,
logo a seguir ao ser humano. Encontram-se em todos os oceanos
e na maior parte dos mares, incluindo (o que é raro,
para os cetáceos) o mar Mediterrâneo e o mar
da Arábia. As águas mais frias das regiões
temperadas e das regiões polares são, contudo,
preferidas. Ainda que se encontrem por vezes em águas
profundas, as áreas costeiras são geralmente
preferidas aos ambientes pelágicos.
Existem
populações de orcas particularmente concentradas
na zona nordeste da Bacia do Pacífico, onde o Canadá
faz curva com o Alasca, ao longo da costa da Islândia
e na costa setentrional da Noruega. São frequentemente
avistadas nas águas antárcticas, acima do
limite das calotas polares. De facto, crê-se que se
aventuram abaixo da calota de gelo, sobrevivendo apenas
com o ar presente em bolsas de ar situadas abaixo do gelo,
tal como faz a beluga. No Ártico, contudo, a espécie
é raramente avistada no inverno, não se aproximando
da calota polar, visitando estas águas apenas no
verão.
A
informação sobre outras regiões é
escassa. Não existe uma estimativa para a população
global total. Estimativas locais indicam cerca de 70 a 80
000 na Antárctida; 8 000 no Pacífico tropical
(ainda que as águas tropicais não sejam o
ambiente preferido destes animais, a grande dimensão
desta área oceânica - 19 milhões de
quilómetros quadrados - significa que poderão
aí viver milhares de orcas); cerca de 2 000 junto
ao Japão; 1 500 nas águas mais frias do nordeste
do Pacífico e 1 500 junto à Noruega. Se juntarmos
os dados de estimativas menos precisas sobre áreas
menos investigadas, a população total poderá
ascender aos 100 000. |
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As
orcas têm um sistema social de agrupamento bastante
complexo. A unidade básica é a linha matriarcal
que consiste numa única fêmea, mais velha,
e os seus descendentes. Os filhos e filhas da matriarca
fazem parte desta linha, tal como os filhos e filhas destas
últimas filhas - contudo, os filhos e filhas de qualquer
um dos filhos passarão a viver com a linha matriarcal
das suas companheiras de acasalamento) - e assim sucessivamente,
ao longo da árvore genealógica destes animais.
Como as fêmeas podem viver até cerca de noventa
anos, não é raro encontrar quatro ou mesmo
cinco gerações de orcas a viver na mesma linha.
Estes grupos matrilineares são muito estáveis
e mantêm-se durante anos. Os seus elementos apenas
os abandonam, nunca mais de algumas horas, com o fim de
procurar alimento ou acasalar. Não há registo
de nenhuma expulsão de um indivíduo destes
grupos. O tamanho médio de uma linha matriarcal é
de cerca de nove animais, segundo as estatísticas
efectuadas junto às orcas do Pacífico nordeste.
As
linhas matriarcais têm alguma tendência a juntarem-se
a outras, de forma a constituírem grupos (em inglês
utiliza-se o substantivo colectivo "pod" que não
tem correspondente em português, para conjunto de
"baleias", a não ser a palavra "baleal",
proposta pelo dicionário Houaiss, que, na falta de
outro termo - já que cardume, ou mesmo manada, apesar
de também serem usados, parecem ainda mais impróprios
- será usado neste artigo, tendo em conta, contudo,
que as orcas não são baleias) que têm,
em média, cerca de 18 indivíduos. Os membros
de um "baleal" partilham do mesmo dialecto (os
sons distintivos da espécie), havendo indícios
de que são todos aparentados pelo lado materno. Ao
contrário das linhas matriarcais, os baleais podem
separar-se nas linhas que os constituem por vários
dias ou semanas, em busca de comida, até voltarem
a juntar-se. O maior baleal registado tinha 49 membros.
O
próximo nível de organização
dos grupos de orcas é o "clã", que
consiste na reunião dos vários baleais com
dialectos semelhantes. Novamente, verifica-se que as relações
entre os vários baleais têm um fundamento genealógico,
por linha materna. Vários clãs podem partilhar
a mesma área geográfica. Há registo
de baleais de clãs diferentes viajando em conjunto.
Quando baleais residentes se juntam para viajarem como um
clã, há um ritual de reconhecimento, com saudações
que consistem em colocarem-se em linhas paralelas semelhantes,
antes de se misturarem por completo.
O
último nível de associação é
a comunidade que pode ser definida, vagamente, como o conjunto
de clãs que se unem regularmente. As comunidades
não partilham, contudo, quaisquer padrões
familiares vocais discerníveis.
No
nordeste do Pacífico conseguiu-se identificar três
comunidades:
* A comunidade meridional (1 clã, 3 baleais e 83
orcas em 2000)
* A comunidade setentrional (3 clãs, 16 baleais e
214 orcas em 2000)
* A comunidade do Sul do Alasca (2 clãs, 11 baleais
e 211 orcas em 2000)
Deve-se
enfatizar que estas hierarquias são apenas válidas
para grupos sedentários ou residentes. Grupos nómadas,
caçadores de mamíferos, são, na generalidade,
menores porque, ainda que se baseiem em linhas matriarcais,
nota-se uma maior tendência dos machos para levarem
uma vida isolada. Contudo, grupos nómadas mantém
uma vaga coesão definida pelos seus dialectos.
O
comportamento quotidiano das orcas é, geralmente,
dividido em quatro actividades básicas: busca de
alimento, viagem, descanso e socialização.
Esta última costuma ser acompanhada de comportamentos
entusiásticos, exibindo vários tipos de saltos
e arremessos do corpo, espreitadelas sobre a água,
além de baterem com as barbatanas na água
e erguerem a cabeça. grupos constituídos apenas
por machos interagem, frequentemente, com os pénis
erectos. Não se sabe se este género de interacção
é um comportamento apenas lúdico ou se comporta
manifestações de afirmação de
papéis de dominação. |
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As
orcas utlizam na sua alimentação uma grande
diversidade de presas diferentes. Populações
específicas têm tendência a especializar-se
em presas específicas, mesmo com o prejuízo
de ignorarem outras presas em potência. Por exemplo,
algumas populações do mar da Noruega e da
Gronelândia são especializadas no arenque,
seguindo as rotas migratórias deste peixe até
à costa norueguesa, em cada outono. Outras populações
preferem caçar focas.
A
orca é o único cetáceo que caça
regularmente outros cetáceos. Há registos
de vinte e duas espécies de cetáceos caçadas
por orcas, seja pelo exame do conteúdo do estômago,
seja pela observação das cicatrizes no corpo
de outros cetáceos ou, simplesmente, pela observação
do seu comportamento alimentar. Baleais de orcas chegaram
mesmo a atacar baleias comuns, baleias-de-minke, baleias-cinzentas
ou, mesmo, jovens baleias-azuis. Neste último caso,
os grupos de orcas perseguem a cria de baleia azul, em conjunto
com a sua mãe, até ao esgotamento de ambas.
Por vezes conseguem separar o par. De seguida, rodeiam a
jovem baleia, impedindo-a de subir à superfície
onde esta precisa de tomar ar para respirar. Assim que a
cria morre afogada, as orcas podem alimentar-se sem problemas.
Há
também um caso registado de provável canibalismo.
Um estudo levado a cabo por V. I. Shevchenko nas áreas
temperadas do Sul do Pacífico em 1975 registou a
existência de restos de outras orcas no estômago
de dois machos. Das 30 orcas capturadas e examinadas nesta
pesquisa, 11 tinham o estômago completamente vazio.
Uma percentagem invulgarmente alta que indicia que o canibalismo
foi forçado, devido à falta extrema de alimento.
Mais
frequentemente, contudo, as orcas predam cerca de 30 espécies
diferentes de peixes, nomeadamente o salmão (incluindo
salmão-real e salmão-prateado), arenques e
atum. O tubarão-frade, o tubarão-galha-branca-oceânico
e, muito ocasionalmente, o tubarão-branco, são
também caçados pelos seus fígados altamente
nutritivos, acreditando-se também que são
caçados no sentido de eliminar ao máximo a
competição. Outros mamíferos marinhos,
incluindo várias espécies de focas e leões
marinhos são também procurados pelas populações
que vivem nas regiões polares. Morsas ou lontras
marinhas são também caçadas, mas menos
frequentemente. A sua dieta inclui ainda sete espécies
de aves, incluindo todas as espécies de pinguins
ou aves marinhas, como os corvos-marinhos. Alimentam-se
também de cefalópodes, como o polvo ou lulas.
As
orcas são muito inventivas, e de uma crueldade brincalhona
impressionante nas suas matanças. Por vezes, atiram
focas umas contra as outras, pelo ar, de modo a atordoá-las
e matá-las. Enquanto que os salmões são,
geralmente, caçados por uma orca isolada ou por pequenos
grupos, os arenque são muitas vezes apanhados pela
técnica da captura em carrossel: as orcas forçam
os arenques a concentrarem-se numa bola apertada, cercando-os
e assustando-os soltando bolhas de ar ou encandeando-os
com o seu ventre branco. As orcas batem, então, com
os lobos da cauda sobre o grupo arrebanhado, atordoando
ou matando cerca de 10 a 15 arenques com cada pancada. A
captura em carrossel só foi documentada na população
masculina de baleias assassinas de Tysfjord (Noruega) e
no caso de algumas espécies oceânicas de golfinhos.
Os leões marinhos são mortos por golpes de
cabeça ou pancadas com os lobos da cauda.
Outras
técnicas mais especializadas são utilizadas
por várias populações no mundo. Na
Patagónia, as orcas alimentam-se de leões
marinhos dos sul e crias de elefantes marinhos, forçando
as presas a dar à costa, mesmo correndo o risco de
elas mesmas ficarem, temporariamente, em terra. As orcas
observam o que se passa à superfície, através
de um comportamento designado de spyhopping, que lhes permite
localizar focas a descansar sobre massas de gelo flutuante.
A técnica consiste em criar uma onda que obrigue
o animal a cair à água, onde outra orca o
espera, para o matar.
Em
m´deia, uma orca come cerca de 60 kg de comida por
dia. Com uma tal variedade de presas e sem outros predadores
que não o homem, é um animal bem no topo na
cadeia alimentar. |
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Tal
como os outros golfinhos, as orcas são animais com
um comportamento vocal complexo. Produzem uma grande variedade
de estalidos e assobios usados em comunicação
e ecolocalização. Os tipos de vocalização
variam com o tipo de actividade. Naturalmente que, enquanto
descansam, emitem menos sons, ainda que façam ocasionalmente
um chamamento bem distinto daqueles que usam num comportamento
mais activo.
Os
baleais sedentários têm uma maior tendência
para a vocalização que os grupos nómadas.
Os cientistas indicam duas razões principais para
este facto. Em primeiro lugar, as orcas residentes mantêm-se
no mesmo grupo social por muito mais tempo, desenvolvendo,
assim, relações sociais mais complexas - o
que implica também um maior desenvolvimento local
e uma maior partilha de sons próprios do grupo. Os
grupos nómadas, como ficam juntos por períodos
mais passageiros (algumas horas ou dias), comunicam também
menos. Em segundo lugar, as orcas nómadas têm
maior tendência para se alimentarem de mamíferos,
ao contrário das orcas residentes, que preferem peixes.
As orcas predadoras de mamíferos necessitam, naturalmente,
de passar despercebidas pelos animais que pretendem apanhar
de surpresa. Usam por isso, apenas estalidos isolados (o
chamado "estalido críptico") para ecolocalização,
em vez da longa série de estalidos observada noutras
espécies.
Os
grupos residentes apresentam dialectos regionais. Cada baleal
tem as suas próprias "canções"
ou conjuntos de assobios e estalidos que são constantemente
repetidos. Cada membro do baleal parece conhecer todo o
repertório do grupo, de forma que não é
possíve identificar especificamente um animal apenas
pela sua voz - é apenas possível identificar
o grupo dialectal. Uma canção pode ser específica
de um grupo ou partilhada por vários. O grau de semelhança
nas vocalizações de dois grupos distintos
parece estar mais relacionada com a proximidade genealógica
dos dois grupos que com a proximidade geográfica.
Dois grupos que partilhem um conjunto de ancestrais comuns
mas que vivam em locais distantes continuarão a ter
um repertório de canções muito semelhante.
Isto sugere que as canções passem de mãe
para filho durante o período de amamentação. |
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Ainda
que só tenham sido classificadas como espécie
em 1758, a orca já era conhecida pelo ser humano
desde tempos pré-históricos. A cultura desértica
de Nazca foi responsável pela representação
de um orca, desenhada pelas famosas linhas de Nazca, numa
data indeterminada entre 200 a.C. de 600 d. C.
A
primeira descrição escrita de uma orca foi
da autoria de Plínio, o Velho, na sua História
Natural, escrita cerca de 50 a.C.. A aura de invencibilidade,
ligada a uma imagem voraz da orca, estava já bem
estabelecida por esta altura. Ao assistir à matança
pública de uma baleia encalhada no porto de Roma,
Plínio escreveu: "As orcas (cuja aparência
não há imagem que consiga expressar, não
era mais quem uma enorme massa de carne selvagem com dentes)
são inimigas das outras baleias... Atacam-nas e rasgam-lhes
a carne como navios de guerra em golpes bélicos."
Tribos
aborígenes do Noroeste do Pacífico da América
do Norte, como a Tlingit, Haida, e Tsimshian destacam com
frequência a orca na sua religião e artesanato. |
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As
orcas tornaram-se alvo da caça à baleia comercial
a partir de meados do século XX devido ao esgotamento
das reservas de espécies de maior porte. Esta actividade
teve um final abrupto em 1981 com a implementação
de uma moratória internacional sobre a caça
à baleia. Ainda que de um ponto de vista taxonómico
a orca seja mais um golfinho que uma baleia, o seu tamanho
justifica a sua inclusão entre as espécies
protegidas pela Comissão internacional para a caça
da baleia.
O
país que mais orcas caçava era a Noruega que
capturou, em média, 56 animais por ano, de 1938 a
1981. O Japão capturou, também em média,
43 baleias assassinas por ano, de 1946 a 1981. (não
há dados fiáveis sobre os anos de guerra,
mas supõe-se que tenham sido caçados menos
exemplares). A União Soviética caçava
uma pequena quantidade de animais todos os anos no Antárctico,
à excepção de uma época extraordinária
de caça, ocorrida em 1980, durante a qual se capturaram
916 orcas.
Hoje
em dia, não é realizada caça substancial
à espécie. O Japão captura alguns indivíduos
quase todos os anos, no âmbito de um programa de "pesquisa
científica" controverso. É prosseguido
um nível de captura igualmente baixo pela Indonésia
e Gronelândia. Além de caçadas para
servirem de alimento humano, as orcas são também
mortas porque alguns defendem que entram em competição
com os pescadores. Na década de 1950, a Força
Aérea dos Estados Unidos da América, a pedido
do Governo da Islândia, usou bombas e armas de fogo
na chacina de grupos de orcas nas águas da Islândia,
sob esse mesmo pretexto. A operação foi considerada
um êxito pelos pescadores e pelo governo islandês.
Opositores desta medida, contudo, afirmaram que a queda
nas reservas de peixe se deve à pesca excessiva por
parte do ser humano. Este debate continua sem que cada parte
aceite ceder terreno à outra.
As
orcas são ainda, ocasionalmente, mortas devido ao
medo que a sua reputação provoca. Ainda que
nenhum ser humano tenha sido atacado por uma orca em liberdade,
os marinheiros do Alasca matam-nas com o intuito de protegerem-se.
Este medo tem vindo a ser dissipado nos últimos anos
devido a uma melhor informação das populações
em relação à espécie, além
da popularidade que estes animais têm em aquários
e outras atracções turísticas afins. |
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A
inteligência das orcas, a facilidade em treiná-las,
a sua aparência impressionante, o seu comportamento
brincalhão em cativeiro e o seu tamanho anormalmente
grande torna-as um animal bastante popular como exibição
em aquários e em espectáculos aquáticos,
como em parques temáticos. A primeira captura e exibição
de uma orca teve lugar em Vancouver, em 1964. Nos 15 anos
seguintes, cerca de sessenta ou setenta orcas foram retiradas
das águas do Pacífico com este fim. No final
dos anos 70, e na primeira metade da década de 1980,
as águas da Islândia eram a origem de muitos
dos animais capturados - nos cinco anos antes de 1985, capturaram-se
aí 50 orcas. Desde essa altura que as orcas são
criadas desde nascença em cativeiro, sendo raras
os espécimes selvagens nestas condições.
O cativeiro pode, contudo, levar ao desenvolvimento de determinadas
patologias como o colapso da barbatana dorsal, verificada
em 60 a 90% dos machos cativos.
Já
ocorreram alguns ataques ou acidentes com orcas em cativeiro,
envolvendo seres humanos. Em 1991, um grupo de orcas foi
responsável pela morte de uma treinadora, Keltie
Byrne, em Sealand, Victoria, na Colúmbia Britânica
(onde os empregados não estavam autorizados a permanecer
na água com as orcas). Crê-se que esta morte
tenha sido provocada pelo facto de as orcas não se
aperceberem que o ser humano não é capaz de
sobreviver debaixo de água, pelo que se julga que
se trata apenas de um comportamento brincalhão, mas
trágico. O mesmo se acredita que tenha acontecido
em 1999, no parque SeaWorld em Orlando, Florida, onde uma
orca terá alegadamente matado um turista que entrou
de forma subreptícia na piscina, durante a noite.
Há quem acredite que o mesmo possa ter morrido de
hipotermia. No final de Julho de 2004, durante um espectáculo
no parque SeaWorld, em San Antonio, Texas, uma orca empurrou
o seu instrutor (depois de dez anos de convívio entre
os dois) para debaixo de água, impedindo-o de atingir
a borda da piscina. Só depois alguns minutos de angústia
é que os seus colegas o conseguiram salvar.
Outro
incidente trágico envolvendo orcas ocorreu em Agosto
de 1989, quando uma fêmea dominante, Kandu V, se atirou
a uma orca recém-chegada, Corky II, mordendo-a durante
um espectáculo aquático. Corky II tinha sido
trazida da Marineworld, na Califórnia apenas alguns
meses antes do acidente. De acordo com testemunhos, ouviu-se
uma dentada sonora ao longo do estádio. Ainda que
os treinadores tenham tentado continuar o espectáculo,
a dentada provocou a fragmentação do maxilar
da orca atacante, provocando o corte de uma artéria
que começou a jorrar sangue. Depois de evacuada a
multidão de espectadores e depois de uma hemorragia
de cerca de 45 minutos, Kandu V morreu. Os opositores deste
género de espectáculo referem frequentemente
estes incidentes nas suas críticas e argumentos para
a sua abolição.
A
SeaWorld continuou implicada em várias práticas
criticadas por movimentos a favor dos direitos dos animais,
como a manutenção de orcas capturadas no meio
selvagem. A associação Born Free Foundation
criticou este empreendimento por manter em cativeiro, após
vários anos, a orca Corky II, que queriam devolver
à sua família no grupo (baleal) A5 Pod —
na Colúmbia Britânica, no Canadá. |
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Até
ao final da década de 1970 que as orcas eram apresentadas
de forma negativa na ficção, como predadores
ferozes que os heróis da história tinham de
enfrentar para salvar as presas. O exemplo mais extremo
talvez seja um filme que teve, aliás, pouca aceitação
do público: Orca onde se descreve a história
de uma orca que se decide vingar dos seres humanos responsáveis
pela morte do seu companheiro (a história remete
de imediato para o argumento de Jaws - Tubarão, de
Steven Spielberg).
Contudo,
a pesquisa sobre a vida destes animais e a sua popularidade
nos espectáculos aquáticos reabilitou quase
por completo a imagem pública da espécie.
De facto, o público rapidamente concedeu a este animal
o estatuto de um respeitável e nobre predador, o
que não aconteceu, por exemplo, com outros predadores,
como o lobo, que continua a ter uma posição
menos favorecida no imaginário popular.
O
filme Free Willy (Libertem Willy, em Portugal) (de 1993)
focou, com algum sucesso, a luta pela libertação
de uma orca cativa. A baleia assassina (um macho) usada
nas filmagens, Keiko, era originária de águas
islandesas. Depois da sua reabilitação no
Oregon Coast Aquarium em Newport, Oregon, voltou para os
países nórdicos, no seu habitat natural, ainda
que se mantivesse dependente dos seres humanos, até
à sua morte, em Dezembro de 2003. |
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O
derramamento de crude do petroleiro Exxon Valdez teve um
efeito particularmente adverso na população
de orcas do Alasca. Um dos grupos de orcas foi apanhado
pelo derrame. Ainda que tenha consigo nadar para águas
limpas, onze membros do baleal (cerca de metade) morreram
nos dias e semanas seguintes. O derramamento teve outros
efeitos a longo prazo, ao reduzir a quantidade disponível
de presas necessárias para a alimentação.
Em dezembro de 2004, cientistas da North Gulf Oceanic Society
comprovou que o grupo AT1, agora apenas com sete membros,
estava afectado por alguma forma de esterelidade, já
que falhou, desde então, qualquer tentativa de reprodução.
Espera-se que a sua população decresça
até à sua extinção.
Tal
como outros animais de níveis tróficos mais
elevados da cadeia alimentar, a orca é particularmente
susceptível ao envenenamento pela acumulação
de bifenil policlorado (ou PCBs) no corpo. Uma pesquisa
efectuada sobre orcas residentes ao longo da costa de Washington
demonstra que os níveis de PCB são mais elevados
nestes animais que os níveis encontrados em espécimes
de foca comum na Europa, envenenados e com a sua saúde
gravemente afectada por este produto químico. Contudo,
não há qualquer evidência de doença
nas orcas, ainda que se suponha que tenha efeitos, por exemplo,
na taxa de reprodução que poderá decrescer
no futuro.
As
orcas são obrigadas a enfrentar outras ameaças
ambientais, como a indústria turística que,
através da organização extensiva de
actividades de observação de baleias, parece
ter efeito em algumas mudanças comportamentais destes
animais. Foi também provado que ruídos de
elevada intensidade em navios têm modificado a frequência
dos cantos e chamamentos específicos da espécie. |
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| O CASTELO
ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. |
Mais um grande
sucesso em animação da parceria Disney/Pixar. |
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